Monday, January 26, 2009

Portuguesas devem ter cuidado com os muçulmanos?


A semana passada fui , e creio que fomos todos surpreendidos com o “alerta” proferido pelo Cardeal Patriarca de Lisboa às jovens portuguesas.

O Cardeal chamou a atenção para o «monte de sarilhos» que podem surgir se casarem com muçulmanos. D. José Policarpo deixou um conselho: «Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam».

Questionado se não estava a ser intolerante, disse que não: «Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá».

Entretanto, a comunidade islâmica em Portugal já se mostrou surpreendida com estas declarações, o que diga-se de passagem é perfeitamente legítimo.

Na minha perspectiva este infeliz comentário, ou advertência, como queiram qualificar, revela a total intolerância da igreja católica para com os outros credos, o que é vergonhoso e xenófobo.

Eu sou católica e confesso que fiquei estupefacta e envergonhada com estas declarações.

Não me identifico com esta igreja, que quanto a mim já não é muito “católica”.

É por estas e por outras que as pessoas se afastam cada vez mais da igreja católica, mas será que ninguém vê isso????

E os meus prezados leitores, concordam com a posição do Cardeal?

Deixem-me as vossas opiniões sobre esta polémica temática.

Saudações diabólicas.

19 comments:

korrosiva said...

Acho que o D.Policarpo devia de perder mais tempo a ver os podres da religião dele e deixar que os outros sigam a sua vida da maneira que bem entendem.

Beijinhoss ;)

Rei da Lã said...

A minha opinião é a seguinte:

A religião é uma porcaria!

Logo...

André said...

Há muito tempo que a Igreja perdeu a credibilidade ( que nem eu sei como alguém lhe a pode ter dado) em todos e qualquer assuntos, mas principalmente morais. Por isso cada vez mais se vê estas tristes alminhas a proferir tamanha estupidez.

Grão Vizir said...

Tal como no caso do papa, aqui está outro exemplo que só prova que a religião não é regida pelos ideais da própria mas sim pelos ideais dos seus altos representantes, isto é aquilo a que se pode chamar de perfeito disparate, já andam tão desacreditadas, ainda fazem por aumentar mais a hipocrisia tipica de qualquer uma delas...

Catarino said...

Vejo pelos comentários que irei um pouco contra a corrente (como habitualmente em assuntos do género), mas não podemos generalizar e confundir a opinião/palavras de um membro com o todo. Não é por um deputado se mostrar racista que consideremos que todos os deputados o são. Não é por um membro de um partido se afirmar a favor do casamento homossexual que todos nesse mesmo partido serão igualmente a favor. Não é por um magistrado vir para a televisão falar contra a imigração e os imigrantes que estão no nosso país que todos os magistrados partilham da mesma opinião.
Quero com isto dizer que, sem dúvida que estas foram afirmações tremendamente infelizes e que não deveriam ter sido proferidas, mas isso não implica que esse seja o ponto de vista da "instituição" neste caso da Igreja. Tanto assim é, que a Igreja prevê nas "suas leis" o casamento entre cristãos baptizados e membros de outra religião ou mesmo ateus... Como podemos ver as coisas não são bem como se pintam e é preciso ter muito cuidado com estas generalizações...

O Pinoka said...

Concordo.
Temos que ter em conta o contexto em que aquilo foi dito. Se pelo menos a reportagem que passou nos telejornais for vista com atenção, chega-se facilmente à conclusão que nada foi dito com malícia e que inclusivamente tudo é verdade.
D. José Policarpo apenas defende as mulheres na sua generalidade, porque são elas de facto a parte mais fraca num casamento misto, são elas que ficam sujeitas num país Islâmico à perda de todas as liberdades e ele foca bem isso quando faz referencia a mulheres que casam com muçulmanos e vão para países Islâmicos e não a homens que casam com muçulmanas. Que achas que acontece a uma mulher que case com um afegão e que vá para o Afeganistão com ele? Achas que lhe atribuem um estatuto diferente e lhe concedem privilégios?
Em determinada altura o Cardeal diz ainda que se deve conhecer o Alcorão para perceber os muçulmanos. Isto é mau? A intenção com que as declarações foram proferidas e na conversa em que estavam inseridas nada tem a ver com a conotação que lhe atribuíram.
Outra coisa que não pode ser escamoteada é o facto de ser a Igreja Católica a instituição que mais tem trabalhado para o diálogo entre as diferentes religiões em Portugal.
Agora verdade seja dita, qualquer jornal abrir com uma frase de D. José Policarpo em que diz «Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Ala sabe onde acabam», segura de imediato o telespectador, disso ninguém duvida.

Também fiz uns posts acerca deste tema:
http://o-pinoka.blogspot.com/2009/01/realismo-puro.html
http://o-pinoka.blogspot.com/2009/01/adenda-ao-post-em-baixo.html
http://o-pinoka.blogspot.com/2009/01/liberdade-mais-imprensa-pisa-o-risco_24.html

Beijocas

Rei da Lã said...

Alguém me sabe dizer para que diabo serve a religião, seja ela hindu, muçulmana, cristã e quejandos?

Catarino said...

Precisamente Pnoka, tu falas na questão das mulheres irem para os países islâmicos, mas sabes, ainda nesta semana saiu na Sábado (passe a publicidade) a situação de portuguesas que ao casarem com muçulmanos vieram viver para Portugal com eles. Achas que a situação delas foi diferente da que viveriam lá? Foi o tanas! Leiam essa reportagem e vejam se D. José Policarpo não tem certa razão no que disse. Mas volto a dizer o mesmo: há verdades, que por muito que o sejam, não devem ser ditas... Esta foi uma delas...

Catarino said...

O homem não é só isto que a gente vê. Uma massa de carne e matéria que anda "praqui" uns 70 a 80 anos (quando anda) e depois de morrer acaba tudo. Que significado tinha isso? Somos animais, é verdade mas animais racionais, animais animados (com anima ou alma), somo mais que o cãozinho que temos em casa ou a gata da vizinha ( ;) ). É precisamente por sermos mais, por sermos seres espirituais que temos e precisamos da religião. Para termos uma vida mais completa, para sermos ligados Áquele que nos criou e nos sustenta. A religião é o completar do homem. Se aderires à religião verdadeiramente, irás ver como a tua qualidade de vida melhora substancialmente. A religião é como (e esta comparação vale o que vale) teres no teu carro gasolina de 95 ou 98 octanas, ele anda com as duas, mas com qual anda melhor e qual faz melhor ao carro no futuro de um uso continuado?

Diabólica said...

KORROSIVA,

Não podia estar mais de acordo.
Beijokinhas.

Diabólica said...

REI DA LÃ,

Não sou tão "drástica" como tu, mas acho que as coisas não estão a seguir o rumo correcto, isso sem dúvida alguma.

Beijinhos.

Diabólica said...

ANDRÉ,

Sim, e se o caminho a seguir for este cada vez mais pessoas se irão afastar das práticas católicas, ou pelo menos, daquilo que deveriam ser as práticas correctas desta igreja...

Beijinhos diabólicos.

Diabólica said...

GRÃO VIZIR,

"só prova que a religião não é regida pelos ideais da própria mas sim pelos ideais dos seus altos representantes,", isto é, quanto a mim, sem qualquer dúvida o principal problema da igreja católica, e não só...

E enquanto assim for,neste aspecto da crença, a humanidade não irá longe...

Beijinhos.

Diabólica said...

CATARINO,

Concordo que não devemos confundir a opinião de um membro pelo todo, mas isso seria se este fosse o único tema em que a igreja católica é retrograda e intolerante.

Lembro-te a posição da mesma em temas como sejam: o aborto, o uso de preservativo, etc.

Não te parece altamente limitativo que as pessoas só tenham relações sexuais com o propósito de procriar?
E que é feito do prazer, do amor?
Acredito que Deus, pelo menos, tal como eu o concebo não quereria isso, queria sim que as pessoas se respeitassem e se amassem, sem restrições deste tipo, e que só tivessem filhos se tivessem capacidade de os ter.

Não que eu defenda a prática reiterada do aborto,nada disso, mas tudo tem um meio termo, e a religião( católica) não o parece conhecer.

Tudo é ou 8 ou 80, e assim não pode ser.

Quanto aos casamentos com muçulmanos, acho que o Cardeal se devia preocupar mais em corrigir os erros que a sua religião tem e deixar os outros em paz.

Deixe as mulheres escolherem em liberdade, com quem querem, ou não querem casar.

É uma decisão do foro intimo de cada um, na qual a igreja não tem de dar palpites. Mas, se os der que não seja para ser xenófoba e discriminadora.

Esta é a minha opinião, mas como é óbvio respeito inteiramente a tua.

Obrigada por teres voltado!

Beijinhos.

Diabólica said...

PINOKA,

Compreendia a questão do contexto, se esta fosse a excepção nos comentários, quanto a mim, desadequados que têm sido proferidos ultimamente, mas como tal não tem acontecido tenho dificuldade em aceitar este argumento...

Mas, esta é apenas a minha opinião e vale o que vale.

Beijos diabólicos.

Catarino said...

Diabólica,
Abordaste aí alguns que são complicados de se explicarem num só comentário. Apenas te digo que tudo tem uma razão de ser e não são apenas caprichos. Em relação à tua ideia de que para a Igreja as relações apenas servem para procriar é completamente errado. O que diz a Moral da Igreja é que a relação sexual tem duas finalidades: A unitiva e a procriativa. É precisamente na unitiva que se situa o amor dos esposos...
Em relação a posições extremistas, tal como disse no meu comentário, de extremista a Igreja não tem nada. Tu dizes que a Igreja é extremista, mas ela permite que um cristão se case com qualquer outra pessoa independentemente da religião. Contudo tu para casares com um muçulmano terias de te converter à religião dele... Essa é que é essa. Este foi apenas um conselho, que talvez não devesse ter sido dado em público, mas que tem o seu Q de pertinência. Não é uma imposição, é apenas um conselho....

Freifernando said...

VAI MORAR EM UM PAÍS MULÇUMANO...E DEPOIS VEM E ESCUTA ESSA FALA DO CARDEAL...LIBERDADE DE EXPRESSÃO É DIZER O QUE SE PENSA, MESMO QUE NÃO GOSTEM...POR ISSO DIGO QUE ESTAIS SENDO TÃO PRECONCEITUOSA QUANTO O CARDEAL...ANALISA, POREM, QUE NOS PAISES MULÇUMANOS NEM A FÉ CATÓLICA PODE SER PROFESSADA, QUANTO MAIS UMA CRISTÃ CASAR COM UM MULÇUMANO...PAZ E BEM!

Sopa de Letras said...

Confesso q como católica fiquei envergonhada até porque conheço mtos muçulmanos e até hoje tenho tido bos relações com eles .
é preciso é respeito entre todos

Anonymous said...

sou portuguesa ,casada com um algeriano(mulculmano)ja foi ao pais dele e nada me aconteceu.o meu marido nunca me pediu nada pra mudar,eu era catolica ,bebia alcool e fumava...por minha livre vontade mudei de relegiao,e outras coisas mais...o k eu penso a boas e mas pessoas por toda a parte...a igreja nao me dis nada,apenas faz parte da minha historia....