Monday, August 13, 2007

"Quem não bebe é careta"...

Já muito se tem falado acerca das saídas nocturnas, e dos excessos que são cometidos.
Esses excessos são transversais, não havendo distinções entre adultos e menos adultos.
No entanto, neste meu artigo vou centralizar-me apenas
nos adolescentes.

Como todos sabemos, apesar de a venda de bebidas alcoólicas ser proibida a menores de 18 anos, o que é facto é que de uma forma ou de outra eles acabam por ter acesso a elas.
Essa é que é essa!

Ou são os donos dos estabelecimentos nocturnos( ou outros) que “facilitam” , ou são os amigos que vão buscar, ou seja lá como for, mas o que é facto é que o álcool chega à “ mesa”!

Mas, depois a culpa é sempre dos proprietários dos locais de diversão, dos amigos, etc., etc., etc.

Porque será que nunca, ou muito raras vezes, se pensa na responsabilidade dos pais destas “crianças”???? Melhor dizendo na irresponsabilidade dos mesmos, assim parece-me mais correcto…

Há alguns dias atrás vi um documentário na televisão em que um adolescente de 15 anos de idade, confessava que numa noite bebia 3 Malibus, 3 Cervejas, e 3 Wiskies!

Conseguem perceber isto? Eu não.

O argumento usado por este jovem foi o de que
: “ Quem não bebe é careta”.

Embora entenda que os grupos se influenciam entre si, e que as pessoas em grupo têm comportamentos que, possivelmente, não teriam se estivessem sozinhos, isto revela que essas pessoas são extremamente influenciáveis, e que não têm personalidade própria.

Eu, não fui nenhuma santinha nessa idade, mas posso “gabar-me” de sempre, mas sempre ter pensado pela minha própria cabeça.

Acho que isso, para além da minha personalidade, da minha maneira de ser e estar na vida, terá também tido a ver com a educação que os meus pais me deram.

Isso de certeza!

Nesse sentido, acho que muitas vezes a culpa não é só dos donos dos estabelecimentos, ou dos adolescentes, mas na minha opinião, tem com certeza uma cota parte de “ irresponsabilidade” por parte dos progenitores.

Isto é, por vezes os pais não sabem educar os seus filhos, não dialogam com eles, não os alertam para os perigos do álcool, nem estabelecem regras e horários para as saídas.

Daí que, lamentavelmente, seja bastante comum verem-se adolescentes com 13/ 14 anos na rua às 6h da manhã, ou mesmo em coma alcoólico!

Ora, quanto a mim isso é gravíssimo, e a “culpa” é na minha perspectiva dos pais que deixam os filhos ao Deus dará, e depois admiram-se muito de estas situações ocorrerem.

E quando ocorrem, a culpa é sempre atirada para os amigos, para os donos das casas de diversão, etc., etc., etc., mas nunca para eles…

Eu ainda não sou mãe, mas quando for pretendo incutir nos meus filhos alguma responsabilidade, e estabelecer sempre uma relação aberta, baseada, acima de tudo na comunicação.

Poderá dizer-se que os jovens nesta altura têm que viver, que distrair, que faz parte da idade.

Mas, não poderão fazer tudo isto, sem colocarem em risco a sua saúde, ou até mesmo a sua vida???

Eu entendo que sim, e que isso poderá ser possível se houver um papel interventivo por parte dos pais destes adolescentes.

Desta forma, poder-se-ão prevenir estes dissabores.

Acho também que os media têm um papel muito importante nesta temática.

Por isso acho que se deve falar nestas questões, devem ser feitos debates, com pais e filhos presentes, porque é através da discussão de ideias que uma sociedade avança, e que pode haver uma inversão de comportamentos.

Por isso, embora sendo radical, e sabendo que isso legalmente, não é possível, acho que se deviam denunciar os proprietários dos estabelecimentos que têm estas práticas, em vez de se colocarem as vozes distorcidas, ou barras nos olhos.

Isso, assim, é ser-se cúmplice desta tragédia da nossa sociedade.

Por isso entendo, que cabe a todos nós alterar este quadro. E se formos país temos uma responsabilidade acrescida, não se pode continuar a sacudir a água para o capote do vizinho.

Assumam-se as responsabilidades.

Caso contrário continuaremos a saber que, por vezes, passadas 4/ 5 horas após saírem de casa os adolescentes já se encontram alcoolizados, o que é alarmante.

Na vossa opinião, quais as medidas que devem ser tomadas?

Se já são pais, como lidam com os vossos filhos neste âmbito?

Saudações diabólicas.

12 comments:

antonio said...

Neste caso muito complexo, todos têm a sua culpa,é indiscútivel que a maior culpa é do próprio jovem, ou por influência de terceiros, ou por isso que dizes de eles referirem que quem não bebe é careta, isto é tudo uma questão de vaidade e não é por se beber que se é mais ou menos homem!..
Mas uma coisa é certa, não há quem consiga travar estas e outras excêntricidades tão prejudiciais á nossa juventude...

Grão Vizir said...

É verdade que muita gente começa a beber antes dos 18, eu mesmo o fiz...com 16 foi a primeira vez, mas geralmente cometem-se excessos nao pela saída em si mas as vzes por certos jantares de anos em que é comum pedir sangria, e isto é bebida algo enganadora, pois pode ser forte ou nao, e juntamente com a saída propriamente dita basta beber mais algumas coisas que fica-se meio estranho...no meu caso nunca me excedi, mas geralmente fica-se sempre um bcd mais 'alegre'...

Comigo eu proprio fui sempre controlado, e os meus pais nessa situaçao nunca tiveram de se preocupar em demasia...

E como também nao sou pai lol, na altura logo se vê como se reage numa situaçao especifica, nao sei o que dizer pr enquanto...

Falando d outras coisas ja nao postavas ha um certo tempo...ainda bem k voltaste =)

Joana said...

Quase metade dos jovens portugueses com 13 anos já consome álcool.
É cada vez mais o binge drinking - quatro ou cinco bebidas destiladas ou cerveja, numa só ocasião, ao fim-de-semana ou à noite, em ambiente de lazer - que empurra os jovens para a dependência.

Cada vez mais e mais cedo começam a sair à noite. Por vezes é dificil para os responsáveis pelos estabelecimentos saberem a idade visto que miudas com 15 anos parecem que têm 20. De qualquer maneira isso não é desculpa...para alguma coisa existe o B.I.

Quanto aos amigos... claro que podem influênciar mas não obrigam. Cada um deve pensar por si.

Os pais... sim devem falar abertamente sobre os perigos do alcool e não só.

beijinhos**

P said...
This comment has been removed by the author.
P said...
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tuga said...

Bom senso e mais nada. Nao vejo problema nenhum em beber desde que seja com moderacao. Bebo as refeicoes. Fora delas nao tenho esse habito. Claro que ja apanhei algumas bezanas. Nao incentivo os meus a beber. Quando quiserem provar que provem e sao alertados para as consequencias do excesso. Depois é ter fé e confianca neles, pq a primeira derrapagem acabam-se as mordomias. Isto enquanto estiverem cá debaixo da asa.

Miguel F. Carvalho said...

não me parece que tenha só a ver com os pais... os adolescentes vivem em grupos de afirmação e têm tendência a seguir esse mesmo grupo com o qual se procuram identificar...

isto é um problema sem solução... será sempre assim... se pedissem identificação à entrada de bares e discotecas talvez esses adolescentes nem sequer tivessem permissão de entrar...

Gaja Boa 2 said...

A culpa é de todos...tambem acho estranho os pais n se importarem com as horas que os filhos chegam! Enfim...

bjs

Bicota said...

É sem dúvida um problema sério.
A culpa?
A culpa é nossa... da sociedade... do grupo de amigos... dos comerciantes...
É nossa!
Também já cometi excessos e tento, sempre que possível alertar para este problema.
Não é fácil. Poucos aceitam uma chamada de atenção. Sejam adolescentes, mais velhos... não importa. Poucos aceitam um "puxão de orelhas".
A sociedade permite... beber em sociedade é permitido, é ser social, socializado, civilizado, enfim, é fazer parte de um todo que olha a (p'ra) bebida, para o acto de beber, como sendo normal.
Por isso a culpa é nossa.
Dos que bebem e dos que não bebem, dos que vendem e dos que não vendem, dos pais e dos que não são pais (ainda).
Soluções não tenho... preocupações muitas... porque a droga pior não é a que mata mais depressa mas a que é tolerada, e por vezes incentivada (publicidade), pela sociedade. De qualquer forma defendo que tudo pode começer em casa (na minha... na tua), depois na casa dos amigos (meus e teus...), e talvez assim se chegue mais longe e seja cada vez mais rigorosa a fiscalização no que toca à proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.
Enfim, a culpa é nossa... é tua... é minha...
não é?

Belzebu said...

Eu cá por mim nunca bebo, no intervalo de duas cervejitas bem fresquinhas!

Então essas férias infernais nunca mais acabam? Isto anda meio cinzentão e precisamos do regresso dos guerreiros!

ehehe!! Aquele abraço infernal!

Anonymous said...

Claro q a culpa é dos pais!!
Concordo plenamente ou vejamos: onde arranjam os adolescentes o dinheirinho p sair á noite? Q genero de pais dormem regaladamente nas suas caminhas sabendo q os filhos estão até as tantas fora de casa sem sequer saberem onde e em q estado?
O problema é q os pais em vez de transmitirem valores hoje em dia apenas querem ser compinchas dos filhos...muitas vezes prq eles n tem nada p transmitir...
Ana Borges

o_anticristo said...

A culpa é da sociedade em si que, por muito incoerente que seja, considera "cool" beber-se. Todavia, emvez de consumirem tanto alcool podiam bater com a cabeça na parede que o efeito seria o mesmo mas isso não é "cool".